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Quaestio

Correção monetária pelo IPCA

Digite o valor e escolha o mês base e o mês de reajuste: o valor é corrigido pelo índice como em uma cláusula de reajuste.

Mês base
Mês de reajuste
Condições do contrato
100 significa a variação inteira. Alguns contratos usam só uma parte, por exemplo 75.
O valor só muda se o índice tiver variado pelo menos isso. 0 significa que ele sempre muda.

Valor corrigido

3222,99

2000 corrigido de agosto de 2016 a agosto de 2026

  • Índice de agosto de 20164736,74
  • Índice de agosto de 20267633,23
  • Variação do índice+61,15 %

Cálculo

2000 × 7633,23 ÷ 4736,74 = 3222,99

  • Número-índice com dezembro de 1993 = 100. Antes do Plano Real os valores são muito pequenos e são guardados com seis algarismos significativos.

Fonte: IBGE · Licença: Termos de uso do IBGE (reprodução permitida com citação da fonte)

Atualizado em 24 de setembro de 2026 · próximo dado previsto por volta de 10 de outubro de 2026

Índices e ferramentas

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Como funciona

Corrigir um valor é recalculá-lo com um índice de preços para que ele mantenha o poder de compra quando os preços sobem. O novo valor é o antigo multiplicado pelo número-índice do mês de reajuste e dividido pelo número-índice do mês base. Com um índice de 100 no mês base e 130 no mês de reajuste, R$ 1.000,00 viram R$ 1.300,00. A calculadora usa os números-índice publicados, que aparecem na tabela abaixo do resultado.

Os contratos quase sempre indicam um índice e um mês específicos, e não uma média anual. O índice de um mês é divulgado poucas semanas depois do fim do mês, então as duas partes podem calcular o mesmo valor antes do próximo pagamento. Médias anuais só saem depois da virada do ano e suavizam as variações, por isso servem menos quando um valor deve mudar numa data fixa.

Uma cláusula como “o valor será reajustado anualmente pela variação acumulada do IPCA nos últimos 12 meses” usa o número-índice do último mês considerado dividido pelo de 12 meses antes. Para o IPCA acumulado de janeiro a dezembro, escolha dezembro do ano anterior como mês base e dezembro do ano do reajuste como mês de reajuste. Vale o mês a que o índice se refere, não o mês de divulgação: o IPCA de outubro sai em novembro. Confira sempre o índice exato e os meses indicados no contrato, e se o valor pode diminuir ou deve ser arredondado. A ferramenta faz a conta, mas não interpreta contratos e não é orientação jurídica.

Os números-índice do IBGE não são revisados depois de divulgados. Antes do Plano Real a inflação era muito alta, e os valores dessa época são muito pequenos na base atual; a série guarda seis algarismos significativos para que as contas continuem corretas. A ferramenta não converte moedas antigas para o real.

A calculadora de inflação usa médias anuais do Banco Mundial e serve para comparar o valor do dinheiro entre anos, por exemplo quanto vale hoje um salário de 1990. Esta ferramenta usa os números-índice mensais do IBGE e serve quando um contrato indica um índice e um mês específicos.

O IPCA é o índice oficial de inflação do Brasil e, desde julho de 1999, a referência do regime de metas de inflação do Banco Central. Ele mede os preços para famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. O INPC cobre famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos e serve de referência para o reajuste do salário mínimo e de benefícios sociais. O IBGE também oferece uma calculadora do IPCA.

Muitos contratos de aluguel usam o IGP-M, um índice geral de preços calculado pela Fundação Getulio Vargas, e não pelo IBGE. O IGP-M não está nesta ferramenta: se o contrato fala em IGP-M, IVAR ou outro índice da FGV, use os números publicados pela FGV. Índices diferentes podem ter variações bem diferentes no mesmo período.

Quanto valem hoje R$ 1000 de um ano anterior

A tabela usa os mesmos números-índices da calculadora acima: o valor multiplicado pelo índice do mês mais recente publicado e dividido pelo índice de janeiro do ano de partida.

Janeiro deÍndice na épocaÍndice hojeEquivale hoje a
19951033,747633,237384
20001598,417633,234776
20103040,227633,232511
20154110,207633,231857
20205331,427633,231432

Os números-índices vêm do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), publicado pelo IBGE. O mês mais recente disponível é agosto de 2026.

O que é indexar um valor, e o que não é

Indexar um valor é reescrevê-lo no dinheiro de outro ano. A conta é uma proporção simples: o valor antigo multiplicado pelo índice do mês de comparação e dividido pelo índice do mês-base. O número-índice em si não tem unidade nem valor – só a razão entre dois índices significa alguma coisa.

O que se recalcula é o poder de compra médio, e não o preço de um produto específico. O IPCA acompanha uma cesta de bens e serviços comprados pelas famílias, com pesos que o IBGE tira da Pesquisa de Orçamentos Familiares. Habitação, alimentação e transportes pesam muito, enquanto um item que ficou mais barato ou mais caro do que a média segue o seu próprio caminho. Um computador comprado no ano 2000 não corresponde a um computador pelo valor indexado de hoje, porque os computadores caíram muito em relação a tudo o mais.

A indexação também não diz nada sobre o que era razoável pagar na época. Ela responde a uma única pergunta: quanto dinheiro é preciso hoje para comprar a mesma quantidade da mesma cesta média.

O IBGE calcula a mesma cesta para públicos diferentes. A população-objetivo do IPCA são as famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos; a do INPC são as famílias de 1 a 5 salários mínimos cuja pessoa de referência é assalariada. Por isso os dois raramente coincidem. O IPCA é o índice oficial da inflação: o Conselho Monetário Nacional fixa a meta de inflação em termos dele, e é por ele que o Banco Central conduz a política monetária.

O mês-base e o ano-base são coisas diferentes

O mês-base é o mês de partida: aquele em que o contrato foi assinado, o aluguel foi fixado ou o valor foi pago. O ano-base é outra coisa, o período em que o IBGE fixou o índice em 100. A série usada aqui tem dezembro de 1993 igual a 100, e essa base aparece sob a resposta da calculadora.

Mudar a base altera todos os números-índices, mas não a razão entre eles, e portanto não altera a resposta. Quem faz a conta à mão é que precisa separar as séries: um índice de uma série com dezembro de 1993 igual a 100 nunca pode entrar na mesma fração que um índice calculado sobre outra base. Quando a base muda, o IBGE reconverte os valores antigos, e são esses valores reconvertidos que aparecem aqui – um índice pode, por isso, ser diferente do que saiu no jornal naquele ano sem que a resposta mude.

Mudar a base não é o mesmo que mudar a estrutura de pesos. O IBGE revisa os pesos quando sai uma nova Pesquisa de Orçamentos Familiares: a estrutura em vigor desde janeiro de 2020 vem da POF 2017–2018. Uma revisão dessas muda como o índice anda dali em diante, sem reescrever o passado.

Contratos que seguem um índice

Um contrato que deve acompanhar os preços precisa dizer três coisas: qual índice se aplica, qual é o mês-base e quando o reajuste acontece. Escrever apenas “a inflação” abre disputa sobre qual série e qual mês, e sobre o que fazer quando o índice cai.

A periodicidade mínima está na lei. O art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.192/2001 declara nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária com periodicidade inferior a um ano. Nas locações, o art. 18 da Lei nº 8.245/1991, a lei do inquilinato, deixa às partes fixar de comum acordo o novo valor do aluguel e inserir ou modificar a cláusula de reajuste: o índice está no contrato, não na lei.

O IGP-M, calculado pela Fundação Getulio Vargas, foi por muito tempo chamado de “a inflação do aluguel”. Como ele inclui preços no atacado e é sensível ao câmbio e às commodities, chegou a acumular mais de 37 % em doze meses até maio de 2021, muito acima do IPCA do mesmo período. Desde então boa parte dos contratos passou a adotar o IPCA.

Em outras situações é a lei que aponta o índice. Os benefícios em manutenção do INSS são reajustados anualmente pelo INPC, conforme o art. 41-A da Lei nº 8.213/1991. O salário mínimo segue o INPC acumulado mais o crescimento real do PIB de dois anos antes, pela Lei nº 14.663/2023. E o art. 1.710 do Código Civil manda atualizar as prestações alimentícias “segundo índice oficial regularmente estabelecido”, sem dizer qual – quem redige o acordo ou a sentença é que precisa nomeá-lo.

A cláusula deve ainda dizer o que vale quando o índice não sai a tempo ou a série é descontinuada. Quem a publica indica a sucessora, mas um contrato que não se refere a ela fica difícil de aplicar.

Indexar para trás, e o que não dá para calcular

A conversão funciona nos dois sentidos. Para saber a quanto um valor de hoje correspondia antes, basta inverter a fração: o valor multiplicado pelo índice do ano anterior e dividido pelo índice de agora. O resultado é uma estimativa no mesmo sentido que para a frente: a cesta era outra, e quanto mais longe se vai, menos parecido é o que se podia comprar.

Comparações muito longas devem ser lidas como ordem de grandeza, e não como um valor exato. O Brasil trocou de moeda várias vezes até o real entrar em circulação em 1º de julho de 1994, e atravessou anos de inflação altíssima. O número-índice acompanha essas trocas, mas um valor em cruzeiros reescrito em reais carrega toda a imprecisão daquele período. Coisas que não existiam não têm preço, e coisas que existiam mudaram de sentido: uma viagem entre duas capitais custava uma certa quantia em 1980, mas levava um tempo que hoje ninguém aceitaria.

Salários raramente seguem um índice de preços. Para comparar um salário ou um rendimento ao longo do tempo, o instrumento certo é um indicador de rendimento, como o rendimento médio real do trabalho apurado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, porque ele mede outra coisa: quanto o trabalho paga, e não quanto as mercadorias custam.

Fontes

Como as ferramentas são verificadas