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Quaestio

Medidas antigas

Escolha uma medida e uma quantidade, e o valor é convertido para as unidades de hoje. Filtre pela grandeza para ver só comprimento, área, volume, massa, contagem ou tempo.

Grandeza

Equivale a

2,75 cm

1 polegada (polegada portuguesa)

No sentido inverso: 1 m equivale a 36,3636 polegadas.

  • Período: período colonial até meados do século XX
  • Região: todo o Brasil
  • O uso legal cessou em 1872, pelo prazo de dez anos da Lei n.º 1.157/1862, mas a medição de terras conservou a polegada: no Rio Grande do Sul o IBGE ainda registrou em 1948 a polegada de sesmaria, uma faixa de 0,0275 m de largura por uma légua de comprimento.

Saiba mais sobre polegada

Todas as medidas, da menor para a maior

MedidaEquivale aPeríodoUso
Comprimento
polegada2,75 cmperíodo colonial até meados do século XXtodo o Brasil
palmo22 cmperíodo colonial até meados do século XXtodo o Brasil
pé33 cmperíodo colonial e imperial, até 1872todo o Brasil
côvado67,38 cmperíodo colonial e imperial, até 1872tecidos
vara1,1 mperíodo colonial e imperial, até 1872tecidos, fumo em corda
braça2,2 mperíodo colonial até meados do século XXtodo o Brasil
légua6,6 kmperíodo colonial até meados do século XXRio Grande do Sul e demarcação de terras em geral
Área
litro de terra605 m²século XIX até meados do século XXSão Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul
tarefa3025 m²século XIX até hojequase todo o Brasil, sobretudo o Nordeste
cinquenta1,21 haséculo XIX até meados do século XXPernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Maranhão, Piauí, Alagoas e Santa Catarina
braça de sesmaria1,452 haperíodo colonial até meados do século XXRio Grande do Sul
quadra1,742 haséculo XIX até meados do século XXRio Grande do Sul, Acre, Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco e Minas Gerais
alqueire2,42 haséculo XIX até hojeSão Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás e parte de Minas Gerais
lote colonial25 hade 1911 até meados do século XXRio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Pará e Espírito Santo
data2,723 km²período colonial até meados do século XXRio Grande do Sul
légua quadrada43,56 km²período colonial até meados do século XXRio Grande do Sul e demarcação de terras em geral
sesmaria130,7 km²período colonial até meados do século XXRio Grande do Sul
Volume
quartilho665,5 mlperíodo colonial e imperial, até 1872líquidos
selamim2,27 lperíodo colonial e imperial, até 1872cereais
canada2,662 lperíodo colonial e imperial, até 1872vinho, azeite e aguardente
quarta9,07 lperíodo colonial e imperial, até 1872cereais
alqueire de secos36,27 lperíodo colonial e imperial, até 1872cereais
pipa479,2 lperíodo colonial e imperial, até 1872vinho e aguardente
moio2,176 m³período colonial e imperial, até 1872cereais
Massa
grão50 mgperíodo colonial e imperial, até 1872ouro, prata e remédios
quilate200 mgdo século XX até hojepedras preciosas
oitava3,586 gperíodo colonial e imperial, até 1872ouro
onça28,69 gperíodo colonial e imperial, até 1872todo o Brasil
marco229,5 gperíodo colonial e imperial, até 1872ouro e prata
libra459,1 gperíodo colonial e imperial, até 1872todo o Brasil
arroba15 kgséculo XX até hojeboi, café e cacau
quintal58,76 kgperíodo colonial e imperial, até 1872todo o Brasil
saca60 kgséculo XIX até hojecafé beneficiado
Contagem
dúzia12período colonial até hojeovos, frutas, miudezas
resma500século XX até hojepapel
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Como funciona

Uma medida antiga quase nunca tem um valor só. O alqueire paulista tem 24 200 m², o mineiro tem 48 400 m² e o do norte tem 27 225 m², e em Minas Gerais o IBGE registrou dezesseis tipos de alqueire, de 1,21 ha a 19,36 ha. Por isso cada medida aparece aqui com os seus valores lado a lado, cada um com o período, o estado e a mercadoria a que se aplica. Nada é reduzido a uma média, porque a média de dois alqueires diferentes não é o alqueire de ninguém.

Quase tudo no sistema agrário brasileiro deriva da braça de 2,20 m e do palmo de craveira de 0,22 m, herdados de Portugal. A braça quadrada vale 4,84 m², e é por isso que os números das medidas de terra do Brasil são sempre múltiplos dela: a tarefa de 25 por 25 braças dá 3025 m², a cinquenta dá 12 100 m², o alqueire paulista dá 24 200 m². Quando um número não é múltiplo de 4,84, é sinal de que veio de outro caminho.

O Brasil adotou o sistema métrico pela Lei imperial n.º 1.157, de 26 de junho de 1862, com prazo de dez anos para que cessasse inteiramente o uso legal das medidas antigas, e com previsão de prisão de até um mês e multa de até 100$000 para quem as usasse. Vencido o prazo, em 1872 o governo aprovou instruções provisórias de execução. Nas feiras e na lavoura nada mudou. As câmaras municipais passaram a vender ou alugar os padrões novos e a cobrar pela aferição, e em 31 de outubro de 1874, num dia de feira no povoado de Fagundes, perto de Campina Grande, na Paraíba, uma multidão quebrou as medidas novas dos feirantes. A Revolta do Quebra-Quilos espalhou-se por mais de setenta localidades da Paraíba, de Pernambuco, do Rio Grande do Norte e de Alagoas, com destruição de padrões, de coletorias e de arquivos de cartórios e câmaras, e só foi dominada em janeiro de 1875.

Depois disso a fiscalização relaxou, e o resultado aparece no levantamento que o Serviço de Estatística da Produção e o IBGE publicaram em 1948: oitenta e seis anos depois da lei, dezenas de unidades derivadas da braça continuavam em uso corrente, estado por estado e às vezes município por município. Duas delas sobreviveram até hoje. O alqueire ainda é a medida dos anúncios de fazendas e sítios, e a arroba ainda é a unidade em que se negociam boi, café e cacau, embora as unidades legais sejam as do Sistema Internacional, pelo Quadro Geral de Unidades de Medida adotado pela Resolução Conmetro n.º 12, de 12 de outubro de 1988: o metro quadrado e o hectare para área, o quilograma para massa. Nem o alqueire nem a arroba constam desse quadro.

Duas armadilhas merecem atenção especial de quem usa esta página. A primeira é o alqueire: nunca compare preço por alqueire sem saber de que alqueire se trata, porque o mineiro vale exatamente o dobro do paulista. A segunda é a arroba do boi: no mercado de boi gordo o preço é cotado por arroba de carcaça, e não de peso vivo. Como a carcaça costuma render cerca de metade do peso do animal em pé, dividir o peso vivo por 15 dobra o número de arrobas negociáveis.

As medidas de contagem também estão aqui, ainda que não sejam grandezas físicas. A dúzia, a grosa e a resma contam peças, então se convertem em número e não em metro ou em quilo.

Como as ferramentas são verificadas